quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Atitude de duas Épocas perante o Luto

Atitude de duas Épocas perante o Luto

Funerais de Etienne ChevalierEstes clichês ilustram bem as considerações publicadas na 1 a página deste número, sobre os funerais e o luto.

Um, obra de Jean Fouquet, representa os funerais do Étienne Chevalier, no século XV. O outro é uma fotografia de um automóvel para transporte funerário, dos que atualmente se usam em São Paulo.

Na cena medieval, o transporte fúnebre é feito à mão, por personagens que caminham com fisionomia compungida e passo cadenciado.

O aspecto de conjunto do cortejo é grave e solene, exprimindo adequadamente a terrível majestade da morte.

Costumes sociais deste feitio manifestam bem que o homem tomava perante a morte uma atitude de cristão: nem fugia dela espavorido, nem procurava disfarçar sob aparências anódinas o que ela tem de terrível. É que o filho da Igreja crê na Redenção e na Ressurreição.

carro funerárioOs funerais hodiernos são bem diversos! Cada vez mais, tendem eles a dar à morte o caráter de um acidente sem importância, e a apagar dos aspectos da existência quotidiana tudo quanto lembre o que naquela há de terrível.

As condições técnicas da vida de nossos dias favorecem, por singular coincidência, este pendor.

E em geral não se nota esforço dos artistas e dos técnicos para obviar na medida do possível a este grave inconveniente.

Assim, pode haver algo de mais parecido com um carro de entrega de mercadoria, do que este auto funerário? Seria só apagar a Cruz, tirar a cortina, e estaria tudo feito.
(Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo, Novembro de 1951)

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