Até alguns anos atrás, o uniforme da Guarda Civil de São Paulo compunha-se de dólmã, calça e boné de casimira azul-marinho.
Mais tarde, surgiu farda de verão, de brim acinzentado, obedecendo em linhas gerais ao mesmo feitio da anterior, exceção feita do capacete branco introduzido só para dirigir o transito.
Por fim, recentemente adotou-se novo uniforme para o uso diário, do mesmo brim, mas reduzido a calça e camisa, suprimindo-se o dólmã.
Os três desenhos desta página sintetizam, pois, a história do traje de uma corporação brasileira nos últimos anos.
Por detrás da transformação das formas e das cores, a transformação mais subtil das mentalidades, dos estados de espírito e dos princípios
O espírito desta secção consiste em procurar, por detrás e por cima da transformação evidente das formas e das cores, a transformação mais subtil das mentalidades, dos estados de espírito e dos princípios, que nelas se simbolizam e se exprimem.
Analisando-se a esta luz os três fardamentos que hoje reproduzimos, os resultados a que se chega são claros.
Segundo a doutrina da origem divina do poder, aqueles que exercem legitimamente funções de mando fazem-no em nome de Deus.
O detentor legítimo da autoridade - qualquer que seja seu titulo ou seu cargo - tem um poder que lhe vem do alto, que transcende do próprio homem, o que dignifica quem manda e quem obedece. Esta transcendência deve exprimir-se por formas sensíveis.
Os símbolos do poder devem ser próprios a incutir respeito
Os símbolos do poder devem, portanto, ser próprios a incutir respeito. E quando a natureza do cargo comporta o uso de traje próprio, deve este ter uma distinção correspondente às funções de quem o veste.
Este conceito se aplica, por excelência, evidentemente, às magistraturas supremas: mas em grau menor aos cargos que de algum modo, embora muito secundariamente, participem da autoridade pública.
Pelo contrario, segundo a doutrina requintadamente revolucionária, da soberania popular, como o poder vem de baixo, não confere nenhuma superioridade.
E, portanto, os que o exercem devem usar símbolos e - se for o caso trajes - que manifestem sua absoluta igualdade com os de baixo.

O primeiro uniforme da Guarda Civil de S. Paulo, por sua seriedade, distinção, sobriedade, conformava-se com o princípio que vimos de enunciar.

Já o segundo traje traduz uma preocupação manifesta de atenuar as notas de superioridade do primeiro.

E finalmente o terceiro parece ter requintado em relação ao segundo. Pequena manifestação do grande sopro de naturalismo pagão e igualitário que nestes dias de cataclismo vai varrendo o universo.
(Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo, Outubro de 1952)
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